A Prime Video apresentou neste sábado, durante painel na New York Comic Con, um novo trailer de "Blade Runner 2099", série limitada que expande o universo criado por Ridley Scott. O elenco, formado por Michelle Yeoh, Hunter Schafer, Dimitri Abold, Lewis Gribben e Matthew Needham, subiu ao palco ao lado da showrunner Silka Luisa e dos produtores executivos Andrew Kosove e Broderick Johnson para detalhar como a nova produção dialoga com os filmes anteriores e, ao mesmo tempo, traça um caminho próprio.
Um mistério sobre identidade e sobrevivência
No centro da narrativa está Olwen, uma replicante blade runner encarregada de caçar insurgentes humanos. Segundo Luisa, a personagem na verdade está investigando o desaparecimento de Merrick, um colega de profissão - uma situação inédita dentro da mitologia da franquia. Paralelamente, a personagem interpretada por Hunter Schafer é uma humana foragida da polícia de Los Angeles que, para proteger o próprio irmão, precisa se infiltrar como blade runner. Já Michelle Yeoh vive uma personagem que sabe estar morrendo e que, nas palavras da atriz, "não gosta de deixar coisas inacabadas".
Um detalhe visual chamou atenção dos presentes: em uma cena exibida com exclusividade ao público do painel, a personagem de Yeoh aparece com as unhas de tom azulado, referência direta ao filme original de 1982, quando o replicante Roy Batty exibia sinais físicos semelhantes perto do fim de sua vida. Luisa explicou que o recurso funciona como um lembrete constante da mortalidade da personagem ao longo da temporada.
Cinquenta anos depois, humanos perderam a guerra
A showrunner revelou que a trama se passa meio século após os eventos de "Blade Runner 2049" e parte de uma premissa drástica: o levante replicante, sugerido nos filmes anteriores, de fato aconteceu - e os humanos saíram derrotados. "2099 acontece num ponto de virada, quando uma espécie está terminando e outra está surgindo", disse Luisa, que descreveu a série como uma reflexão em escala macro sobre mortalidade, em contraste com o olhar mais individual do filme original sobre Roy Batty e seus companheiros replicantes.
Os produtores executivos reforçaram que tanto humanos quanto replicantes buscam identidade nesse novo mundo: os primeiros tentam se encontrar numa realidade em que deixaram de ser a espécie dominante; os segundos, por sua vez, precisam entender o que significa deter esse poder. Broderick Johnson destacou ainda a atualidade do tema, citando o debate sobre inteligência artificial como pano de fundo que torna a história particularmente ressonante para o público atual.
Estética própria e produção de 360 graus
Luisa também detalhou o cuidado visual da série, que precisou construir uma terceira identidade estética distinta tanto do filme de 1982 quanto de "2049". Segundo ela, os sets foram projetados em formato 360 graus, com iluminação integrada, elementos mecânicos funcionais e camadas de desgaste que reforçam a sensação de um mundo habitado e vivido. "Não é só a criação, é também o envelhecimento, o desgaste, as camadas", afirmou a showrunner, citando pequenos detalhes de cenário como latas de refrigerante e bonecos sobre mesas de trabalho.
Andrew Kosove classificou a premissa de infiltração como um desvio "inteligente e interessante" dentro do universo já estabelecido da franquia, enquanto Matthew Needham descreveu a série como uma história de detetive com forte carga filosófica sobre o que significa ser humano. Para Yeoh, o salto de 50 anos no tempo permite uma reinvenção respeitosa: "Todos amamos o original, mas agora, avançando 50 anos, as coisas mudaram tremendamente."