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VisionQuest encerra com maestria a saga de Wanda e Visão na Marvel

Cinco anos depois de WandaVision reinventar a linguagem das séries de super-heróis no Disney+, a Marvel entrega em VisionQuest o capítulo que parecia impossível: um desfecho digno para a história de Visão, o sintozóide interpretado por Paul Bettany desde Vingadores: Era de Ultron. A nova série, criada por Terry Matalas (Star Trek: Picard), chega em um momento delicado para o MCU, às vésperas de um reboot pós-Guerras Secretas, e prova que ainda há fôlego criativo sobrando nesse universo.

Uma jornada que atravessou 15 filmes e 20 temporadas

Da estreia de WandaVision até aqui, o MCU multiplicou sua produção em uma escala quase inédita, somando 15 longas e 20 temporadas entre séries live-action e animadas. Nesse intervalo, Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) viveu seu próprio arco trágico em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, enquanto Agatha Desde Sempre deu continuidade à mitologia de Westview, recolocando em jogo os gêmeos Billy e Tommy Maximoff e, principalmente, reabrindo a porta para o retorno do Visão em sua versão "branca", vista pela última vez no final da série de 2021.

Visão, Ultron e o peso de uma herança artificial

Em VisionQuest, o herói vive escondido em Edimburgo, cidade que guarda lembranças felizes ao lado de Wanda, dividido entre a vida cotidiana e uma mente sintética povoada por inteligências artificiais criadas por Tony Stark. É ali, isolado em uma espécie de sótão simbólico, que vive Ultron (James Spader), o vilão de Era de Ultron, convivendo lado a lado com J.A.R.V.I.S. (James D'Arcy), E.D.I.T.H. (Emily Hampshire), Friday (Orla Brady) e os robôs Dum-E e U. A pergunta que sustenta a temporada é direta: por que Visão nunca destruiu uma ameaça tão perigosa quanto Ultron? A resposta se desenrola ao longo de oito episódios que tratam as IAs não como recursos narrativos, mas como personagens plenos, capazes de discutir luto, identidade e pertencimento.

Thomas, Tommy e uma relação construída com cuidado

O fio condutor humano da trama é a relação entre Visão e Thomas, jovem vivido por Ruaridh Mollica que descobre carregar memórias de Tommy Maximoff após um acidente - eco direto do que já havia acontecido com Billy (Joe Locke) em Agatha Desde Sempre. Paul Bettany entrega uma atuação precisa como um herói que tenta entender emoções que não sabe se são genuinamente suas, enquanto Mollica equilibra espanto e afeto na construção de um laço que começa frágil e ganha solidez a cada episódio, sustentado pelas perguntas sobre o que de fato foi Westview e quem foi Wanda para essas vidas interrompidas.

Ação equilibrada e uma produção visualmente inventiva

A série não abre mão de ser, no fim das contas, uma história de super-heróis: há confrontos competentes, com destaque para o embate envolvendo Madripoor e a vilã Jocasta (T'Nia Miller), mas a ação nunca ofusca o mistério central. Sequências como uma invasão aos sistemas da Interpol, representada fisicamente por firewalls e bots, ou a aproximação quase romântica entre Ultron e Jocasta, mostram um cuidado visual que remete tanto a Star Trek quanto à estética de Speed Racer. Esse tipo de ousadia estética coloca VisionQuest ao lado de outras produções recentes da Marvel na TV, como as duas temporadas de Demolidor: Renascido e Magnum, que têm sustentado um nível de ambição superior ao visto em parte dos filmes mais recentes do estúdio.

Ao encerrar o arco iniciado em WandaVision, VisionQuest confirma que a dupla Visão e Wanda sempre foi mais do que um capítulo coadjuvante dentro do MCU. Terry Matalas, que já havia dado um fechamento satisfatório para Jean-Luc Picard e a tripulação de A Nova Geração, repete a fórmula aqui: entrega um final emocionalmente coerente, sem atalhos fáceis, para um personagem que desde sempre carregou mais humanidade do que muitos heróis de carne e osso do universo Marvel.